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Enquanto bilionários aumentam suas fortunas, desemprego bate recorde

Mais de 13 milhões de desempregados, enquanto 33 super-ricos entram na lista da Revista Forbes
 
Na última semana, a Revista Forbes Brasil divulgou a lista de bilionários brasileiros. De 2019 para cá, 33 novos bilionários entraram no seleto grupo dos mais ricos do Brasil. Se somada toda a fortuna dos 238 mais ricos, o montante é equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) do Chile em 2018, em cerca de R$ 1,6 trilhão. De acordo com a revista, as fortunas são originadas a partir do setor financeiro, bebidas, investimentos e varejo. Enquanto milhões de brasileiros sentem os impactos da crise do coronavírus, os super-ricos surfam na crise.
 
Segundo a Oxfam Brasil, enquanto pequenos e médios negócios tiveram que fechar as portas e demitir seus empregados, grandes corporações aumentaram o faturamento. É o caso da Amazon, do bilionário Jeff Bezos, que viu o número de vendas aumentar em R$ 63 mil por segundo. Aplicativos de entrega, como iFood e Uber, tiveram aumento no número de pedidos. Não é preciso ir longe. A rede Magazine Luiza, da brasileira Luiza Helena Trajano, viu as ações na Bolsa de Valores aumentarem nos últimos meses. Hoje ela é a mulher mais rica do Brasil e ocupa a 8ª posição na lista da Forbes, com uma fortuna estimada em R$ 24 bilhões. O aliado bolsonarista que possui histórico de sonegação de impostos, Luciano Hang, é o décimo na lista com uma fortuna de R$ 18,72 bilhões.
 
Mas se de um lado temos os bilionários, de outro estão os mais de 13,1 milhões de desempregados, cerca de 13,8% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa de desemprego da série histórica da pesquisa, feita desde 2012. Os dados são referentes ao trimestre de maio a julho, em que foram fechados 7,2 milhões de postos de trabalho. Já o número de pessoas ocupadas é de 82 milhões, uma queda de 8% se comparado ao mesmo período de 2019. Em reportagem do Poder360, havia mais pessoas recebendo o Auxílio Emergencial do Governo Federal em agosto do que pessoas com carteira assinada em 25 dos 26 estados brasileiros. A crise do coronavírus é grande, mas não atinge os super-ricos, que mal pagam impostos no Brasil.
 
Fonte: G1
 
O Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, ficando atrás apenas de países africanos, de acordo com o coeficiente Gini, que mede a desigualdade no mundo. Em termos de concentração de renda, os números são ainda piores. Os 1% mais ricos concentram quase 30% da renda total do país. Enquanto isso, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro querem aumentar a carga tributária, criando um novo imposto, tirar recursos do Fundeb, que financia a educação básica, e continuar penalizando a população mais pobre.
 
A DS Curitiba, juntamente com outras entidades representativas do Fisco, já apresentou diversas propostas para diminuir a concentração de renda e riqueza, tornar o sistema tributário mais justo e possibilitar a criação de empregos. Lançado em agosto, o documento “Tributar os Super-ricos para Reconstruir o País”, produzido pela Anfip, Fenafisco, Instituto Justiça Fiscal (IJF), Auditores Fiscais pela Democracia (AFD) e Delegacias Sindicais de oposição ao Sindifisco Nacional, apresenta oito propostas para aumentar a arrecadação da União, estados e municípios, desonerar a população mais pobre e pequenas empresas e aumento de impostos para menos de 1% da população. Juntas, elas possuem potencial para arrecadar R$ 292 bilhões ao ano. Somente a mudança no Imposto de Renda pode desonerar 10 milhões de pessoas — 34% dos contribuintes.
 
Entretanto, a mesma facilidade que o Governo tem para encontrar novas formas de onerar a população pobre e de classe média, como a criação da nova CPMF, não existe quando falamos em taxar os super-ricos brasileiros. As propostas de Reforma Tributária debatidas no Congresso Nacional (CBS do Executivo e PECs 45 e 110), que buscam apenas simplificar o modelo tributário, não vão resolver o problema da desigualdade no Brasil. A DS Curitiba defende que enquanto o modelo tributário for baseado na alta taxação do consumo e baixa taxação de renda, continuaremos na triste posição do ranking dos países mais desiguais do mundo. Os bilionários brasileiros vão continuar mais ricos, e a população pobre, desempregada, cada vez mais pobre.
 
Veja abaixo a fala do presidente da Fenafisco, Charles Alcantara, sobre as propostas das entidades para superarmos a crise e sobre o modelo tributário atual, que prejudica os mais pobres e perpetua desigualdades.
 


Foto: FGV
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